30 de abr. de 2009

...

Sempre busco resgatar a sensação que tive naquela noite. Está marcada em mim como um momento em que estive em plena satisfação de estar comigo mesma.
A casa ainda não era muito bem estruturada, mas era aconchegante e me permitia um sono tranqüilo durante a noite. Havia chegado do trabalho. Deixei os sapatos na porta, ao entrar, como de costume. Liguei o som – durante muito tempo era “Essa boneca tem manual” – ascendi um insenso de sândalo. Tirei a roupa e entrei num banho quente e demorado. Ainda posso sentir a água batendo no meu corpo enquanto observava os azulejos impecavelmente limpos. Estava feliz por estar ali. Meu canto. Minha casa. Sozinha. E me sentia bem por estar ali e sozinha.
Ao sair do banho me enxuguei e permaneci nua. Sempre gostei de ficar nua em casa. Era hábito desde a minha avó. Comi torradas “levemente doces”, adocicando mais com geléia de morango, acompanhadas de suco de uva. Comia assistindo à TV preta e branca de cinco polegadas. Uma rotina aparentemente boba...
É a satisfação desse dia que resgato para o meu agora, para a minha nova casa, para o meu estar sozinha novamente.
A casa parece estranha por ser muito grande. Ainda não há o aconchego. Aos poucos vou retomando velhos hábitos. Percebo algo de muito bom: a nova casa me devolveu o sono tranqüilo, que já não havia desde a saída de minha primeira casa. Então, por hora, permaneço longe até o momento de dormir.
no fundo o que me deixa mais fodida é perceber o quanto vc está bem e feliz. será que você não vai pagar nunca?

28 de abr. de 2009

A.P.

Definitivamente, eu não gosto de mulher... mas com ela, eu me casaria e ainda teria filhos!

23 de abr. de 2009

de que vale uma paixão platônica???

22 de abr. de 2009

Aos meus amigos:

dá próxima vez que eu disser a vcs que irei casar, por favor, me internem num hospício, pq certamente não estarei com meu juizo perfeito.


(ps: aquele viado vai se fuder um dia.)
De vez em quando eu ouço a voz de Marcinho, carregada de um sotaque só seu, a me dizer: "Tudo mentira nega."... Não sei se quando me falou isso sabia o efeito que essa frase teria pra mim... de alguma maneira ela sempre me conforta. E eu a ouço, e rio.

20 de abr. de 2009

"quero seu fascinio..."

"...Seu cabelo me alucina
Sua boca me devora
Sua voz me ilumina
Seu olhar me apavora
Me perdi no seu sorriso
Nem preciso me encontrar
Não me mostre o paraíso
Que se eu for, não vou voltar

Pois eu vou
Eu vou

Eu digo "oi" ela nem nada
Passa na minha calçada
Dou bom dia ela nem liga
Se ela chega eu paro tudo
Se ela passa eu fico todo
Se vem vindo eu faço figa
Eu mando um beijo ela não pega
Pisco olho ela se nega
Faço pose ela não vê
Jogo charme ela ignora
Chego junto ela sai fora
EU ESCREVO, ELA NÃO LÊ..."

17 de abr. de 2009

Por la noche,
oigo el ruído de las estrellas.
Ellas tienem la costumbre
de decirme cosas dulces...
palabras sensillas...
versos de amor...
Enamorado de ellas, me quedo listo;
listo para comprenderlas,
listo para obedecerlas,
listo para murrir de amor...
Por toda la noche,
todas las noches,
las miro... las oigo... las interpreto...
y como las interpretaciones son personales,
llego a la concusión de que ellas
también están enamoradas de mí.

(Joésio Menezes)

16 de abr. de 2009

Dobro os joelhos
Quando você, me pega
Me amassa, me quebra
Me usa demais...
Perco as rédeas
Quando você
Demora, devora, implora
E sempre por mais...
Eu sou navalha
Cortando na carne
Eu sou a boca
Que a língua invade
Sou o desejo
Maldito e bendito
Profano e covarde...
Desfaça assim de mim
Que eu gosto e desgosto
Me dobro, nem lhe cobro
Rapaz!
Ordene, não peça
Muito me interessa
A sua potência
Seu calibre, seu gás...
Sou o encaixe
O lacre violado
E tantas pernas
Por todos os lados
Eu sou o preço
Cobrado e bem pago
Eu sou
Um pecado capital...
Eu quero é derrapar
Nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Quero beber, o que dele
Escorre pela pele
E nunca mais esfriar
Minha febre...

(Isabella Taviani - Luxúria)

15 de abr. de 2009

"Amor é sede depois de se ter bem bebido."

(G. Rosa)
"Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
sendo água, amor, querer ser terra."

(Hilda Hist)

14 de abr. de 2009

no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas

(Leminski)

c a r o l diz:

c a r o l diz:
tenho pensado em algo ha varios dias
c a r o l diz:
e cada vez mais chego a mesma conclusão
c a r o l diz:
e minha decisão é de q realmente preciso ir embora
c a r o l diz:
e deixar tudo para tras
c a r o l diz:
e essa decisão se fortalece a cada minuto
c a r o l diz:
a cada palavra
c a r o l diz:
a cada pulsar
c a r o l diz:
a cada respirar
c a r o l diz:
preciso realmente disso
c a r o l diz:
e deixar tudo para trás inclui tudo que construi, inclui amigos
c a r o l diz:
mas faz parte do meu processo de reconstrução...
c a r o l diz:
preciso de q tudo se misture num unico caos
c a r o l diz:
nao da pra fazer isso sem o abandonar-me
c a r o l diz:
nao posso me reencontrar aqui
c a r o l diz:
necessito ir em busca de quem sou
c a r o l diz:
do meu verdadeiro eu
c a r o l diz:
e minha cigana chama
c a r o l diz:
grita pra q eu me entregue ao arriscar-se
c a r o l diz:
não posso me refazer sem q tenha deixado tudo para tras
c a r o l diz:
hoje fiquei muito tempo diante do espelho, olhando para mim...
c a r o l diz:
não sei mais quem eu sou...
c a r o l diz:
não conheço mais as minhas vontades
c a r o l diz:
não quero apenas coisas novas...
c a r o l diz:
nao posso recomeçar a contar do numero cinco
c a r o l diz:
e essa é a minha idéia de se retornar ao ponto zero
c a r o l diz:
estou cansada de fingir, estou cansada de ouvir
c a r o l diz:
estou cansada de ser quem eu sou agora...
c a r o l diz:
e preciso me despir de tudo que me cerca
c a r o l diz:
pra que eu possa enxergar a minha essencia novamente...
c a r o l diz:
sem que as pessoas ao meu redor apontem o que elas vêem

minha cigana grita...

quem é essa agora?
que dentro de mim me assusta e me atrai
sorrateira ela sou eu,
ou alguma sombra
que me segue como bicho,
rastejando nos calcanhares da minha alma
lá está, lá está,
sabe tudo,
faz tudo,
eu sou apenas uma ferramenta
garganta pela qualela chama, chama, chama

(Lya Luft)

13 de abr. de 2009


"(...) a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é."
(Guimarães Rosa)

7 de abr. de 2009

... dos amores e das desilusões.

Quando eu era pequena ficava tentando imaginar como era que fazia pra que alguém que eu gostasse, gostasse de mim também. Porque ai eu teria um namorado. Só que todos os meninos que eu gostava nunca gostavam de mim, e os que gostavam de mim, um ou outro, eu não queria nem conta. Enfim, acabei dando o primeiro beijo num amigo, pra não fazer feio com o irmão dele, que era mais velho e tava pegando geral... e depois disso, meu primeiro namorado, que sabe-se lá porque quis ficar comigo, e por ser bonito e bom partido e tal eu acabei ficando-namorando, e dois meses depois terminei com o menino. Tadinho! Na época foi horrível! Porque eu não gostava dele mesmo. Ai veio o diabo que me apaixonei anos a fio. Namorou comigo sem gostar, me dava um corno desgraçado, e ainda engravidou e casou com uma menina sem nem ter terminado o namoro comigo com alguma palavra digna (e hoje ta aqui de volta com juras de amor eterno, só que pra mim figurinha repetida não completa álbum...). Daí foi uma sucessão de desencontros amorosos, até que, anos depois, me apaixonei à primeira vista por alguém que se apaixonou à primeira vista por mim. Foi um sonho completo. Até que um belo dia o principe virou sapo, e ouvi ele dizer que não queria mais isso (ou seja, eu) na vida dele. Um completo mau caráter. E ai os peguetes que não queriam compromisso, e a galinhagem básica e fútil. Então veio o cidadão que mudou completamente minha forma de ser, em apenas 4 meses, deixando marcas profundas. Porem é o único que guardo carinho e que não teria problema algum em ser meu amigo. Um bom amigo. Eis que surge a miséria da minha vida...e era assim que eu o chamava carinhosamente (já prevendo toda a minha desgraça amorosa). Quase me fez louca, sugou toda a minha energia, toda a minha alegria, e me largou seca ao vento. Como uma casca de banana podre, que se quer distancia, porque sabe que se pisar nela pode escorregar....
*
*
*
[hoje, aos trinta e um anos, estou aqui, ao mesmo tempo, revendo meus paradigmas e alimentando uma paixão platônica e louca.]
realmente, parece uma urucubaca braba... tô carente, tô fudida e pra completar, apaixonada por uma pessoa comprometida, que mal me conhece, e que é totalmente alheia aos meus sentimentos, ou pior, à minha existência...

... do amor.

"O amor é aquele grãozinho minúsculo de mostarda e daquilo não passa. Você pode ter milhões de impactos pós-grãozinho mas o clique ocorre só uma vez só. E o resto, o resto é soma, multiplicação (subtração, em alguns casos) do que é feito com o grãozinho inicial. O encanto é só um, cada um com seu grão de mostarda às vezes não explorado mas é só ele que vale. Um dia você posiciona os botões do seu aparelhinho de recepção na freqüência open e a partir de então vai perceber o grão alheio mais hora menos hora, batata.!
E o grãozinho de mostarda do sopro do pequenino Eros com sua flechinha em riste & chiste testosterônicos (posto que a atividade de captação pelo receptor ou caça requer certo nível de ousadia) pode estar escondido numa pequena palavra certa na hora certa, numa clavícula sobressalente, num sorriso. Em geral é dentro do olho, a menina sereia do olho que canta e enfeitiça quem lhe passa defronte é que detem o poder do grão de mostarda mágico do amor. (ah, o amor.!)
Depois do grão de mostarda, meu amigo, minha amiga, o porvir terá mais importância não. Depois do grão de mostarda é ele - e só ele - o que você vai sentir debaixo da pilha de vinte colchões every day every night vendo inerme a paz muito rapidamente tornar-se palavra completamente em desuso no seu vocabulário. E o pior de tudo é que poucos confiam no próprio grão de mostarda. No EFETIVO poder do próprio grão e acabam assim emplumando-se e munindo-se dos mais airosos extras e opcionais para perfilarem-se interessantes (se o grão de mostarda não for em grande quantidade não se consegue perceber a olho desnudo, balela comum que se cai pela mais pura insegurança) no contato com seus admiradores. Precisa fazer nada, não. Não precisa nada mais que expor em local apropriado o seu próprio grão de mostarda. Todo o resto de você, para o outro, é lucro. Para todo sempre o que vai importar é o primeiro código transmitido e recebido.
Se todo mundo soubesse que era só existir para ser amado, existir expondo a unicazinha coisa que lhe encanta perante os outros, só isso... Mas não. Alguns, porém, bem o sabem. Esses são perigosos, ainda que totalmente indesviáveis."
*
*
*
[Roubei de um blog, de Denise Ritta. Adorei o que foi escrito... me sinto assim, com um grãozinho de mostarda na mão, querendo ansiosamente florescer!]

6 de abr. de 2009

...do ódio.

- O ódio. - respondeu ele. - Enganam-se aqueles que dizem que o ódio separa. A verdade é que o ódio junta as pessoas. Como disse um jagunço do Guimarães Rosa, quem odeia o outro, leva o outro para a cama. Diferente do fogo da vela, o fogo do ódio é como um vulcão. Não se apaga nunca. Por fora pode parecer adormecido. No fundo, as chamas crepitam. A diferença entre os dois? O amor, por causa da liberdade, abre a mão e deixa o outro ir. No amor existe a permanente possibilidade de separação. Mas o ódio segura. Não tenha dúvidas. Os casamentos mais sólidos são baseados no ódio. E sabe por que o ódio não deixa ir? Porque ele não suporta a fantasia do outro, voando livre, feliz. O ódio constrói gaiolas, e ali dentro ficam os dois, moendo-se mutuamente numa máquina de moer carne que gira sem parar, cada um se nutrindo da infelicidade que pode causar no outro. As pessoas ficam juntas para se torturarem. Não menospreze o poder do sadismo. Ah! A suprema felicidade de fazer o outro infeliz!
(Rubem Alves - Até que a morte)
as vezes acredito que fizeram uma boa macumba pra mim... mas meu santo é forte e não é de barro...

3 de abr. de 2009

belle.

Lembrei de você esses dias. Tava ouvindo rádio, e tocou “creep” do Radiohead. Daí vieram muitas outras coisas que me fazem lembrar você... sinto muitas saudades. Queria muito que você estivesse aqui ao meu lado. Participando da minha vida, vivendo perto de mim... como sempre foi até quando optamos estupidamente em nos afastar. Nunca entendi o porque do meu silencio orgulhoso. E o seu arrogante. Porque sei q você também sofria com isso. E também porque sua mãe puxou minha orelha diversas vezes, e a sua também, inconformada e sem entender. Talvez você estivesse confusa, assim como eu. Nós duas sabemos bem o porquê. Lembro de uma das últimas vezes que nos vimos, quando nos encontramos por acaso no Vale de Nazaré... e seu desconforto nítido em sua fala : - E ai, esse romance? Entoado de ciúme, inveja e não sei mais o que de sentimento ruim. E naquele dia, acho que no ano passado, em que te vi no ônibus. Você subiu e sentou atrás de mim. Fiquei estática na cadeira ao perceber sua presença, ensaiando dizer um oi, até perceber que você tinha mudado de lugar. E fiquei me perguntando se foi por não ter me percebido antes. Poxa... fiquei com um nó na garganta. Diversas vezes tentei te achar no orkut, no google, nesse imenso universo cyber, que muitas das vezes nos trazem queridos de volta. Também já pensei em te devolver aquela carta que você escreveu para um namorado e não quis entregá-la... Pensei em mandar para seu antigo endereço, que sei de cor desde pequena. De vez em quando releio essa carta. Uma das poucas vezes q você se permitiu mostrar-se doce e refém de sentimentos comuns a qualquer pessoa. Você dizia que sempre quis ser sensível como eu, mas no fundo, se escondia em sua frieza aquariana... talvez como uma defesa de sabe-se-lá-o-quê. A verdade é que você sempre terá um lugar em minha vida... nem que seja apenas com um punhado de lembranças, que posso citar aqui várias... da infância, do tanto que eu apanhava de você... rs... ou de nossas loucuras de adolescentes... ah essas com certeza são mais marcantes... dou muita risada hoje... queríamos morrer juntas! E nos enchíamos dos antidepressivos que encontrávamos em nossas casas... rs. Era bom ter pais e avós hipocondríacos! Também da forma como queríamos nos diferenciar dos demais, com roupas escuras e descombinadas, cabelos despenteados, caras blasé e um quê de sofrimento... hoje certamente nos chamariam de emo...rs... Mas é isso neguinha, espero te encontrar na rua, num dia desses em que eu esteja cheia de coragem, ou tenha tomado umas duas cervejas... pra chegar até você (que estará vestida toda advogada...rs) e te falar muitos desaforos pela falta que me fez nesses dez anos, e dizer também que eu te amo e vou te amar sempre.